— Barry, eu não sei se gosto dessa ideia... — Brendan disse. Estava agarrado no namorado, dividindo um único guarda-chuva de arco-íris. — Da última vez que estivemos aqui, aquele Dusknoir apareceu e foi assustador! Por que a sua irmã decidiu fazer uma festa justo nesse lugar?
— Ah, cara, você conhece a Marley... — O cachecol de Barry balançava para trás. — Ela sempre teve um gosto esquisito.
— Bom, eu ficaria triste se meus amigos não viessem na minha festa depois de ter me esforçado tanto para fazer convites tão... convidativos. — Ele lembrava-se de quando abriu o convite e uma fumaça subiu fazendo a forma de uma caveira e um líquido vermelho começou a escorrer por suas mãos antes de aparecer as informações da festa.
— Hey, Brendie... — Brendan corou imediatamente ao ouvi-lo falar com aquele tom de voz que sempre usava para deixá-lo envergonhado. — Eu vou te proteger de qualquer coisa que acontecer!
— Ah, você vai? Então talvez eu queira me colocar em perigo pra ver você correndo pra me salvar com essas pernas fortes de jogador de futebol... — Agora foi a vez de Barry ficar vermelho como uma fruta Tamato. — Ha! Essa foi pelo Brendie!
— É justo — ele deu os ombros e os dois riram um pro outro antes de pararem na frente do portão, ambos segurando o cabo do guarda-chuva.
— Nós deveríamos bater? — Brendan já aproximava o punho do portão quando ele se arrastou para o lado com uma velocidade impressionante. — O-Okay...!
Os dois garotos entraram juntos no galpão, passando por bastante fumaça. Barry desmontou o guarda-chuva enquanto Brendan tinha flashbacks do Dusknoir com correntes penduradas nos pulsos que o devorou com a barriga e depois vomitou. Experiência traumática.
— Sejam bem vindos — Marley apareceu diante deles, com os dois braços cruzados de forma que suas mãos encostavam nos ombros. — Agora estamos completos.
Barry finalmente tirou suas galochas, chegando ao lado de Brendan. Agora os dois repararam no ambiente. Estava completamente diferente da última vez, além de parecer menor, as caixas haviam sumido. Lustres de cristais iluminavam o ambiente que até parecia chique, com o piso coberto por um tapete aveludado vermelho quase vinho, o mesmo tom e textura das paredes.
Também não estavam sozinhos ali. Sentadas num sofá largo e roxo, May e Lisia seguravam taças com drinks coloridos. De pé, Harley tirava selfies com filtros safados, e ao lado dele, com cara de tédio, Robin tinha as mãos enfiadas nos bolsos. Sua Togetic também voava deitada de costas para baixo.
— Bren! — May se levantou ao vê-lo, abrindo um sorriso. — Já estava preocupada, você não chegava nunca!
— Isso foi porque ele parava a cada vez que trovejava, como se ele não fosse meio que o garoto do tempo aqui — Barry disse apoiando o braço no ombro dele, que revirou os olhos.
— Brendanzinho, até que enfim! Sua amiga gótica não colocou um batidão até agora, convence ela aí que eu preciso atingir minha meta de rebolados diários ou posso ficar gripado!
— Não exagera também, Harley — Lisia também se levantou. — Eu melhor que ninguém sei que você rebola dormindo desde criança!
— Olha lá, a nojenta já vai falar do meu caso raro de sonambulismo rebolante! Fala mesmo, mostra seu veneno!
— Seus amigos são uns queridos — Robin disse e Brendan sorriu sem graça. — Fiquei feliz que me convidaram para a festa, mas Harley tem um ponto. Que festa mais esquisita é essa?
— Também tô doido pra saber — Brendan se voltou pra Marley, que estava imóvel na mesma posição.
— Ih gente, morreu?
— Não, estava esperando vocês me darem atenção, esqueceram que a festa minha? Nesta noite, nos reunimos para comemorar um dia muito especial.
— Togee! — Togetic se empolgou por um momento.
— Eu hein Togetic, deixa a menina falar — May a olhou feio.
— Como eu estava dizendo, a ocasião especial é o centenário da morte daquela que ficou conhecida como a menina da família maldita.
— Ih, é festa da Laura?
— Hoje onde é essa escola, há cem anos era a mansão de uma família que teve sua história marcada por tragédias. Todos se feriam o tempo inteiro, sofriam assaltos, perdiam seus bens... Por onde passavam, algo sempre acontecia. Então eles se consultaram com um padre e foi constatado que estavam amaldiçoados. Foram proibidos de ter mais filhos para que mais ninguém levasse a maldição adiante, mas eles não sabiam que a filha mais velha já estava grávida. Com medo de que tirassem seu filho dela, ela armou um plano. Ficou trancada em seu quarto por meses até que pudesse dar a luz ao filho. Quando chegou a hora da criança nascer, ela não resistiu e pediu ajuda para o parto. Mas, com o choque da revelação da gravidez, sua mãe se descuidou e deixou uma panela no fogão por muito tempo, e um incêndio ceifou a vida de todos naquele dia... Menos da criança recém nascida, uma menina que cresceu sozinha e sofrendo com a reputação de sua família. Dizem que ela se enterrou viva junto dos túmulos de seus pais, bem aqui debaixo de onde esse galpão foi construído para tentar esconder essa história.
— CRUZES! — Lisia esbravejou quando o som de outro trovão chegou a invadir o galpão. — Tá amarrado!
— Deve ser por isso que essa escola é tão ferrada — Barry cruzou os braços.
— Gente, que história horrível! — Brendan se encolheu no ombro de Barry. — Ela não tinha culpa de ter nascido assim!
— Mas também essa mãe dela foi uma burra né, que plano é esse de se trancar num quarto até ter um filho? Não fiquei com pena, fiquei com raiva!
— Mas Marley... — May levantou a mão. — E por que você decidiu dar uma festa para o centenário da morte dela?
— Quando encontraram o corpo dela, havia uma carta em suas mãos. Ela escreveu que voltaria na noite de quando completasse cem anos de sua partida e esperaria encontrar pessoas que a recebessem melhor. Ela acreditava que as tragédias de sua família não eram culpa deles ou de alguma maldição, mas sim das pessoas que faziam ruindades para eles. Por isso, eu quero recebê-la da melhor forma hoje.
— Aí tu me chamou? — Harley cruzou os braços. — Ah não, mulher, que tu me tirou lá de outra fanfic pra vir receber uma morta de cem anos!
— Eu preparei um jantar bem gostoso.
— Isso não é um pouco esquisito? — Lisia perguntou pra May.
— Amiga, já passamos por tanta coisa pior que a esse ponto eu só sigo o roteiro.
— Bom, mas se era só isso, você podia ter nos dito antes! Eu fiquei muito assustado!
— Eu ainda tô — Robin disse. — Que parte do vamos-receber-uma-mulher-morta-há-cem-anos-para-jantar parou de te assustar?
— Toge! — Togetic interviu. — Togeee, toooti.
— Togetic, esse não é o momento para isso — Marley a censurou. — Vamos para a mesa, então?
Brendan nem havia reparado (e poderia jurar que não estava ali antes de Marley começar a contar a história), mas uma mesa retangular bem larga estava no canto do espaço, forrada com uma toalha de renda branca e com belos pratos quentes em travessas de alumínio. Tudo parecia delicioso, e todos puxaram suas cadeiras para sentar.
— Oh, faltaram as bebidas — Marley disse, estalando os dedos. — Eu vou buscar o vinho, volto num instante.
— Ô May... — Barry cutucou a garota. — Você e a Lisia pegaram esses drinks aonde se não tem bebida aqui?
— Foi lá fora, a gente já queria chegar animadas para a festa, antes de descobrirmos que era algo mais vibes enterro... ou desenterro, ao que parece.
— E foi a melhor decisão nossa hoje, porque a pior com certeza foi aceitar esse convite e vir pra cá. A vida era mais fácil quando eu não andava direto com vocês!
— É o preço dos holofotes, querida irmã, na próxima torce pra não te jogarem numa ilha.
— Ai, gente, não é pra tanto também! A Marley se importa com essa história, e nós podemos fazer algo legal por alguém que acreditava que as pessoas ainda podiam mudar mesmo que levasse cem anos, é até bonito o que estamos fazendo se você pensar assim.
— Lindo, né, Brendan? Podemos transformar numa tradição do grupo então, que dia que Lysandre morreu pra eu já começar a marcar as comemorações?
— Eu tô falando sério!
— Eu tô com você, é mesmo uma atitude muito legal — Barry segurou na mão dele, e Harley apontou para dentro da garganta, colocando a língua para fora como se fosse vomitar.
— Togetic, você parece zangada, o que aconteceu? — Robin a perguntou, mas a fada inchou a bochecha, virando a cara. — Oxe...
— Só reclama também — Lisia encarou a fada ranzinza. — Gente, e esse vinho que não chega nunca, ela foi fabricar? A comida vai esfriar!
— Hm? — May sentiu um arrepio no pescoço. — Que vento gelado... Ela deixou a porta aberta?
Robin se levantou para ir fechar, mas gritou quando chegou até a entrada do galpão. Todos levantaram-se e correram para ver o que tinha acontecido.
— Está morta!
— Como isso foi acontecer?! — Barry enfiou as mãos nos cabelos, jogando a franja para trás. — Ela nem chegou a dar mais de um passo para fora do galpão!
— Gente... — May apontou para uma das paredes, onde gotejava um líquido vermelho que escrevia a palavra "Fiquem". — Não querem que a gente saia!
— Que absurdo, eu ainda tenho liberdade de ir e vir por pelo menos mais 4 anos! — Harley resmungou para a parede.
— Não sei quem foi, mas eu não quero ser a próxima! Vamos jantar sem vinho, vai no seco mesmo, quero acabar com isso e ir na polícia — Lisia foi andando de volta para a mesa.
— Isso tá muito estranho, essa menina além de maldita é uma ingrata, a outra foi dar uma festa pra ela e ainda morreu? — Harley levantou a dúvida.
— Pelo menos temos a Togetic — Robin apontou para sua Pokemon, que ainda estava zangada. — O que foi que aconteceu, fala logo!
— Togetic!!! — A fada foi chorando voando pelo galpão e Robin a seguiu tentando resolver as coisas.
— Tô pensando numa coisa... — Barry começou, e Brendan já olhou para Harley esperando que ele fosse fazer uma piadinha. Seu olhar foi o suficiente para calá-lo. — E se não foi a menina maldita? Esse lugar já foi assombrado antes, não foi? Nada garante que foi ela.
— É verdade! — Brendan sorriu da ideia. — Pode ter sido o... ai, me arrepio só de pensar. O Dusknoir... Não quero enfrentar aquilo de novo!
Os dois empurraram uma das paredes, que tombou para trás levantando poeira. Agora podiam ver por trás do cenário montado por Marley, a estrutura de madeira velha do galpão e as caixas empilhadas. Mas, entre elas, um círculo de velas com uma carta no meio.
— "Se quiser viver, vai ter que me entreter" — Barry leu. — Como assim? O Dusknoir ou a menina maldita querem que a gente faça palhaçadas?
— Você quer ouvir uma história?? — Barry perguntou mais alto.
— Quero... — Uma voz baixinha respondeu.
— Ó, tô indo embora — Harley deu as costas.
— Você pode conversar melhor com a gente? Queremos te entender — Barry continuou.
— Posso... — Mais uma vez a voz respondeu.
— Cara, você é um espírito malvado! Precisa deixar a gente em paz, não somos seus inimigos!
— Como assim...?
— Esqueci que o Harley tava aqui.
— Você precisa deixar esse lugar! — Barry abriu os braços tentando convencer.
— Por quê...?
— Porque ninguém permitiu que você entrasse! Você não é bem vindo mais aqui depois do que fez, sai, sai!
— Ah, eu hein, por que deixaram a porta aberta então? — Dan saiu de trás de outra das paredes falsas. — Palhaçada!
— Que entidade é essa?? — Harley perguntou.
— A entidade da fofoca que vem te perturbar quando você tá no pior momento da sua vida, tipo agora! É o Dan!
— Meu bem, a fofoca edifica, já te falei. E por isso que vou me aproveitar desse plano de vocês, digo, por que não tentam mesmo contar umas histórias pra entreter o fantasma? Deixa eu dar uns temas... Qual foi a coisa mais assustadora que já aconteceu com vocês?
— Sim, mas digo... Algo sobrenatural!
— Teve aquela vez que invocaram a desgraçada da Ursaluna Bloodmoon no Baile de Hoenn — Brendan sugeriu.
— Depende, tá falando de qual desgraçada? Se for uma das que eu falei, posso só mandar uma mensagem!
— Não, a ursa, amor, eu quero manchete! Vocês são muito chatos, por isso que não vencem um Contest que se preze!
— Uau! Uau! Uau! — Barry exclamou sem parar com o celular na mão.
— Que foi, ele abriu meu blog?
— Vejam isso, com a lanterna do meu celular, tem pegadas nesse tapete! Mas elas acabam... aqui! — Ele as acompanhou até uma parte do chão onde seu pé afundou. Todos estranharam, então ele puxou o tapete, revelando uma passagem para o subterrâneo. — Quem vai?
— Maaaay! — Harley sugeriu já empurrando a garota.
— Aí vou me entregar pro fantasma logo!
— Vamos todos juntos que não tem erro — Brendan tomou a frente, descendo pela passagem.
Quando todos desceram, Togetic irradiou sua luz para que pudessem enxergar por onde estavam indo. O cheiro reforçava a teoria de ser um sistema de esgoto, mas aonde aquilo levaria?
— O que foi isso? — Harley parou quando ouviu o som de algo mergulhando na água. — Quem tá aí??
— Ah, vai então, ô espantalho — Harley resmungou empurrando Ricard na água do canal do esgoto. — Tô cansado, gente, é muita humilhação! Que convites são esses, sabe? Era uma festa, eu tô num esgoto!
— Desabafa, amigo, coloca tudo pra fora!
— Eu sinto que eu mereço muito mais do que eu recebo! Sou tão bom amigo, uma pessoa tão gentil, carinhosa, amável...
— Unhum,,, 👄
Enquanto Harley falava, May se desconcentrava porque atrás dele uma sombra começava a se erguer.
— HARLEY! — Brendan gritou tentando trazê-lo de volta quando a sombra o agarrou e ele gritou extremamente agudo, mas Barry o impediu.
— Togetic, faz alguma coisa!! — May balançou a fada que estava em choque com a cena.
— Togeeeeeeeee! — Iluminando seu corpo, Togetic projetou seu poder num clarão de cores que erradicaram as sombras e cegaram a todos por alguns instantes, mas quando eles recuperaram a visão, Harley e Dan não estavam mais ali.
— Pessoal!! — Barry apontou para outra sombra consumindo o caminho para trás deles.
Todos correram subindo na direção oposta enquanto tudo para trás escurecia. Aos poucos uma pequena centelha de luz foi ficando maior, revelando uma saída.
— Estamos quase lá!! — May gritou empolgada, mas acabou tropeçando no caminho íngreme, caindo de cara no chão. — Ai porra...
— Eu amo você!! — May sorriu antes da sombra consumi-la.
Brendan desacelerou, mas Barry segurou em sua mão, o puxando consigo para fora daquele túnel. A sombra enfim recuou, e puderam parar para recuperar o fôlego.
— E onde diachos estamos agora? — Brendan olhou ao redor enquanto limpava os óculos.
O novo cenário parecia pertencer ao terreno da escola, mas uma área que nunca haviam visitado. Estranhamente, o clima havia se estabilizado e o sol estava brilhando no céu azul clarinho. Haviam balanços, gangorras e outros brinquedos infantis como num parquinho.
— Será que a gente morreu? — Brendan questionou. — Já vi num filme algo parecido, talvez sejamos fantasmas e acordamos em outro tempo!
— Achei que estivesse mais inclinado pra minha teoria de que é o Dusknoir!
— Que diferença faz agora? — Barry parou de se balançar. — Eu demorei tanto tempo para ter amigos de verdade e agora que eu tenho, eles foram tirados um por um de mim... Menos o Dan, eu não gosto dele.
— Ah, Barry... — Brendan se aproximou, sentando no balanço ao lado do dele. — Já parou pra pensar que esteve tão focado em me proteger hoje que não olhou com o mesmo carinho para você mesmo? Eu também estou com você, vamos sair dessa juntos.
Barry sorriu para ele, que o abraçou com força, escondendo o rosto nele. Várias estrelas se acenderam no céu sobre as nuvens, reagindo aos dois. Togetic observou a cena sem paciência, mas seus ombros caíram e seu rosto ficou ainda mais pálido quando o tapete do parquinho começou a se mexer. Era um daqueles que tinha várias letras e números para crianças aprenderem a escrever, e agora eles começavam a se reposicionar, formando a palavra MALDITA.
— TOGEEE!!! — Togetic deu um berro, voando até os dois garotos que se desgrudaram com o susto.
— AAAAAAAAAAAH!!!! — Eles mal conseguiram levantar do balanço quando foram engolidos pelo tapete, que mudou suas letras para formar a palavra MATAR.
— TOGETIC!!!!!!!!!!! — A fada voou desesperada, sendo perseguida pelo tapete até ser encurralada contra uma árvore.
— To? — Ela piscou confusa, vendo as letras do tapete caindo uma por uma, se reagrupando e formando... — TOGE???
— Estão todos bem, relaxa — Robin sorriu pra ela. — Os queridos não morreram, mas estão tão surpresos quanto você.
— Eu tô muito feliz porque todos estão bem! — Barry disse com um largo sorriso e as mãos na cintura.
— E eu ganhei mais um trauma, não vai ter jeito, já confirma meu novo arco depressivo aí.
— Mana e você quer que eu fale o quê? Minha resposta será nas urnas, se prepara Marley, você vai cair!
— Você assustou a gente de verdade, não acredito que foi tudo combinado com Robin para a festa surpresa da Togetic...
— E pedir desculpas, comprar um perfume, melhorar como pessoa você não cogitou não? — Lisia franziu a testa.
— Hora do parabéns da Togetic!



















































































































































































Ai amei kkkkkkkkkkkk surto gostoso demais <3
ResponderExcluirFeliz Halloweeeeeeeen!!!
Gostei e muito bom, um belíssimo especial de Halloween e feliz Halloween atrasado :3
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