domingo, 30 de março de 2025

Capítulo 119: Desejo.

    Quatro Pokemon em Dynamax rodeavam Spikemuth como muralhas vivas. O teto havia sido arrancado e pouco já restava daquela cidade que um dia teve tanta vida, mas que há anos estava abandonada. Na janela da casa de Marnie, Obstagoon assistia com muita preocupação, enquanto o corpo sem alma de Piers mantinha-se inexpressivo no sofá surrado.


  Cheiroso, use Strange Steam!  Katie esticou o braço para comandar.


  Tyrantrum, Rock Slide, já!  Nia fez o mesmo, cruzando com o de Katie.



    Os dois Pokemon liberaram seus ataques para tentar afastar a Vespiquen de Avery, mas esta usou seu braço para partir todas as pedras e desviar o vapor. As duas garotas cerraram os punhos, então Oleana e Mustard tomaram a frente.


  Garbodor, Gunk Shot!


  Mienshao, Aura Sphere!


    Garbodor sacudiu o veneno em seu corpo e usou seus braços como propulsores para dispararem jatos de veneno para cima dos gigantes, enquanto Mienshao juntou suas mãos, dançando com movimentos lentos enquanto sua aura dividia-se em várias esferas rondando seu corpo, cada uma sendo lançada para um lado da cidade.


  SOCORRO!  Harley berrou com os olhos saltando da cara quando viu a Alcremie desprendendo pedaços de creme do corpo.


  Dustox, por favor!  Klara esticou os braços na frente dele, e sua Galarian Dustox voou para encarar os cremes, expandindo o alcance de seu poder psíquico para dividi-lo em pedaços menores a caírem pelo ar.

 — MILOOOOO!!

  KOOOORCH!!


    Os Pokemon de Nessa e Kabu dispararam ao mesmo tempo seus ataques, um turbilhão d'água e uma rajada de labaredas em espirais. Os sons dos ataques, dos comandos, dos pedidos para se protegerem... Raihan os escutava ao longe, muito abafados. Tentava se manter no controle, mas sua cabeça estava agitada demais, e ele se abaixou levando as mãos ao rosto.

  Rattatatatata!!!  O ratinho reclamava muito, o que chamou atenção de Harley.

  Você tem um objetivo, não tem, Mickey?
  perguntou para o rato, que assentiu ignorando do que foi chamado.  Siga um bom exemplo e vá atrás dele então!


    Rattata ficou surpreso quando Harley liberou Anna, sua Banette. Esta se aproximou dele, e ele deu um passo para trás. Mas precisava confiar... precisava chegar até Melmetal. Ele grunhiu para a fantasma, que entendeu e abriu um portal fantasmagórico no chão, o convidando a descer junto dela. Repleto de coragem, o rato saltou para dentro, e este se fechou.

  Espero não ter matado ele  Harley murmurou, antes do alto som do impacto de movimentos o chamar a atenção.



    Sob o céu arroxeado encoberto pelas nuvens vermelhas dos desejos, Leuri e Marnie encaravam-se. De fundo, bem entre elas, estava o altar da floresta com seu arco de pedras desgastadas. O espaço por entre ele distorcia-se em partículas Dynamax, reagindo com a presença do gigantesco Melmetal, que aguardava alguma ordem de Marnie para agir. Logo os demais também chegaram, ficando por trás de Leuri como sua linha de defesa.

  Vieram todos... Que reuniãozinha  Marnie resmungou, percebendo Diego, Carbink, Kubfu e Calyrex montado em Glastrier se posicionarem ao lado de Leuri.  Patéticos.

  Marnie...
  Leuri começou, mas a garota sinalizou para que parasse, mostrando-a sua palma da mão.


  
Olha, Leuri, é engraçado. Eu olho pra você e vejo uma garota que poderia ser muito mais se não se atrasasse tanto por se importar com quem não moveria um músculo por você.  Ela disse, olhando apenas para a rival.  Eu vi com os meus próprios olhos. Sua técnica, seu cuidado, seus poderes... Alguém mais se importou com tudo isso?


  Isso não me fez desistir de acreditar no melhor das pessoas, tanto é que estou aqui  Leuri respondeu, e Marnie deu de ombros.


  Se você acha... Porque em algum momento eu cheguei a acreditar que se alguém devesse saber o que é ser desmerecida e relegada a segundo plano, seria você.


  Quem disse que eu não sei?! Marnie, eu não vou desistir de você! Nós duas podemos resolver isso, confie em mim!


  Confiar em você?  Marnie quase cuspiu sua fala, franzindo a testa.   A última vez que eu ouvi essas palavras, você mandou o Bede me aprisionar em cristal!


  Você sabe que não era o meu plano! Ah...  Leuri suspirou, com a voz triste.  Essa não é você, Marnie...


  Essa não sou eu?!  Marnie cerrou os punhos, e sua Wishing Star reluziu, aumentando ainda mais a corrupção que quase chegava nos dedos.  Você ainda não entendeu?! Você não me diz mais quem eu sou, ninguém diz! Eu decido isso!


  E foi isso que você decidiu, Marnie?  Leuri abriu os braços.   É isso que você quer agora? É isso que você realmente deseja?! Porque eu acho que Eternatus encheu tanto a sua cabeça de raiva e ódio que você não sabe mais o que está procurando!


  Eu sei exatamente qual é o meu desejo.  Marnie tremia com raiva, com os dentes rangendo.  E eu quero que você saiba o que significa fracassar a pesar dos seus esforços. Eu quero que você e o resto de Galar saibam que eu não sou menos do que ninguém!

    Marnie passou o braço para as suas costas, sacando a espada e o escudo forjados por Melmetal. Ela levantou a cabeça, furiosa, e seu olhar encontrou o de Leuri.


  Marnie!  Leuri a chamou tentando fazer com que a ouvisse.  Se livre de tudo isso e vamos acabar logo com essa situação! Não está vendo?! Você está fazendo exatamente o que Eternatus quer!!


  Eu já tenho um plano para Eternatus  Marnie respondeu, encarando o infinito vermelho do altar.  Você que precisa sair do meu caminho!


  Eu estou te avisando, Marnie. Estou disposta a fazer o que for necessário para proteger os meus amigos.


  Então me mostre!



    Marnie emplacou contra Leuri para golpeá-la com a espada, e esta a encarou mantendo a cabeça erguida, quando uma grande parede rosa de diamantes se levantou entre elas, bloqueando o golpe. O som reverberou pelo altar, agitando as águas do rio vermelho que cortava a floresta, e Marnie levantou o olhar para encontrar Carbink, o responsável pela defesa. Os dois afastaram-se para direções opostas, e Marnie raspou a ponta da espada no solo, mantendo seu equilíbrio. Encarou Leuri entre a divisão de sua franja.


  Wooloo, Electro Ball!  Leuri estufou o peito e comandou por cima de Carbink, vendo a ovelha a rolar pela grama, gerando eletricidade.


    Acompanhando a movimentação da ovelha, Marnie arrastou o sapato cristalizado no chão, virando-se bem na hora para usar o escudo no ângulo certo, bloqueando o golpe, mas sentiu as faíscas percorrendo seu corpo. Ela se afastou com alguma dor, e, mostrando os dentes, levantou uma Dusk Ball.


  Grimmsnarl!
  Ela chamou, e o Pokemon se levantou de sua própria sombra, com um rosnado que eriçou seus cabelos.


  Béééé!!
  Wooloo baliu em resposta, não se intimidando mesmo na sombra dele.

  Spirit Break!
  Marnie rasgou o ar com o braço.


    Liberando sua energia multicolorida de tão vibrante para todos os lados, Grimmsnarl fez seus cabelos pontudos balançarem. Ele ganhou asas vermelhas e se lançou contra a ovelha, que rolou para confrontá-lo. Ambos disputaram poder por alguns instantes, mas o troll venceu, empurrando-a metros para trás.


  Nós vamos ajudar!  Diego anunciou, já atirando a Great Ball que liberou seu Medicham. Os demais seguiram o movimento, posicionando-se para enfrentar o gigante.

  Isso é entre ela e eu!
  Marnie gritou, irritada ao ver os outros soltando seus Pokémon.  Cuide deles, Melmetal!


  É gigante!!  Aleíse se arrepiou ao ver o ferreiro se voltando para eles.  Lurantis, você dá conta?


  Luura!  A inseto assentiu, empunhando sua tesoura solar.

  Não podemos deixar que algo aconteça com a Máquina Cramorant  Sonia advertiu, tendo Sandaconda ao seu lado.

  Estamos juntos nessa!  Diantha incentivou, e Gardevoir concordou com a cabeça.



    Melmetal ergueu a perna, e o solo estremeceu antes mesmo do impacto. Quando a pisada desceu, o som seco das rachaduras se espalhou, seguido pelo surgimento abrupto de espinhos de metal superaquecido, que irromperam violentamente do solo, subindo rápido demais.
    Calyrex puxou as rédeas de Glastrier, e o cavalo gelado relinchou, galopando em ziguezague para escapar das pontas escaldantes que se erguiam ao redor. Kubfu saltava de um lado para o outro, pisando apenas onde era seguro antes de continuar o avanço.

 — Está vindo — Cynthia estreitou os olhos, sentindo o calor aumentar. O vento agitou seus cabelos quando ela ergueu um dedo. — Dragon Claw, mude o rumo!



    Garchomp avançou em voo baixo, soltando um rugido grave, suas garras cintilando com a aura ancestral dos dragões. A energia pulsava, queimando em tons dracônicos de jade enquanto ele cravava os membros no solo. Veias saltaram pelo corpo da dragoa ao exercer força máxima, e um segundo depois, ela ergueu os braços e soltou um grito feroz. O impacto reverberou no ar quando os espinhos tiveram sua trajetória desviada, sendo empurrados para cima.



    Mas agora expostos, os espinhos vinham na direção deles. Cynthia percebeu Diantha ao lado, esticando o braço que segurava a bolsinha, a outra mão apoiada na cintura.

  Moonblast, Gardevoir!



    O reflexo de Gardevoir se distorcia nas colunas de metal derretido enquanto ela levitava ao encontro delas, superando a velocidade com que subiam. A aura de fada emanava do peito, e ao levar as mãos até lá, condensou o poder. Os olhos se fecharam por um instante antes de levantar os braços como um arco, e o brilho rosado se projetou no ar, refletindo nas superfícies metálicas. As partículas Dynamax cintilavam e se dissipavam quando o Moonblast dobrou os espinhos sobre si mesmos.

  Medicham!  Diego chamou.



    Reluzente na luz lunar, Medicham se teletransportou para perto dos espinhos. Aleíse entendeu que Diego tinha um plano e correu para um ângulo onde pudesse ver melhor as estruturas se deformando.

  Lurantis, corte e retoque!


    Empunhando sua tesoura solar, Lurantis a usou para deslizar pelo corpo de metal derretido, deixando sua marca nele, então saltou num impulso luminoso que se propagou em área para o chão. Ela sentiu a pressão do ar aumentando conforme ganhava altitude e abriu a grande tesoura para cortar as pontas das colunas deformadas. O barulho seco da lâmina encontrando o aço ressoou no campo, e os espinhos desabaram, inutilizados, com suas estruturas explodindo.



    Em meio às explosões, Medicham mantinha a concentração com Meditate, desviando dos destroços. A aura ao seu redor pulsava mais forte, vibrando para fora do corpo, instável como chamas que tentavam escapar.

  Agora, Drain Punch!  Diego socou o ar.



    A pose meditativa se desfez num movimento bem articulado. Medicham girou o punho, e a energia acumulada se condensou ao redor dele. O que restava das explosões de energia que formavam os pilares de Melmetal também foram absorvidos, e seu punho começou a crescer até alcançar um tamanho impressionante. Ele o empurrou contra o corpo do gigante ferreiro, e o metal começou a ser empurrado para trás, respingando em pedaços para fora dele.

  Medi?  Medicham arregalou os olhos ao ver o metal se mover sozinho.

    De dentro do corpo de Melmetal, formas menores empurravam os pedaços para fora, absorvendo-os de volta. Eram Meltan, reconstruindo o gigante enquanto ele ainda se reformava.



  Talonflame, um pouco mais!

    Grace estava montada nas costas de seu Talonflame, sobrevoando o gigante. Sem soltar Camille, ela arremessou uma Pokeball para baixo.

  Power-Up Punch!!



    Kangaskhan deixou a cápsula já se aproveitando da queda para conseguir mais potência em seu soco, envolto num poder tão intenso que deixava um rastro no ar como a cauda de cometa. Ela atingiu o corpo do gigante e se manteve pressionando, enfrentando a resistência dele.

  Gatinho!  Camille segurava uma Pokeball com as duas mãozinhas, até deixá-la cair pelo ar.

  Rhyhorn, Horn Drill!
  Grace viu a oportunidade, percebendo a Pokeball da filha se abrindo.


    Litten deixou a cápsula já se arrepiando com a língua para fora, até conseguir cuspir uma bola de fogo, rolando para trás após isso. Rhyhorn saltou para resgatá-lo no ar, e se aproveitou da chama para aumentar o poder de seu chifre, que agora funcionava como uma broca de fogo. Junto com o soco de Kangaskhan, a pressão quente acelerou o derretimento do metal, sendo suficiente para deformá-lo para Medicham se soltar.

  Medi, medi  Medicham agradeceu aos que ajudaram.


  Tomem cuidado!

    Pedaços de metal derretido começaram a se desprender do corpo do gigante, todos em formatos de Meltan, e Carbink foi rápido o suficiente para fragmentar diamantes orbitando o seu corpo, enviando-os para serem a proteção das pessoas e Pokemon que combatiam.
    Os pedaços de metal batiam nos pequenos escudos de diamante, escorrendo para o chão, mas estes também aqueciam e não se sustentariam por muito mais tempo.

  Luuura!
  Lurantis ergueu a tesoura, mas o metal derretido avançou, cobrindo o brilho da lâmina e queimando-a. Ela caiu de joelhos com um arquejo dolorido, apoiando-se com as duas mãos no chão.

 — Scizor, por favor!!
  Aleíse já puxava outra Pokeball antes que Lurantis tentasse se reerguer.



    Scizor emergiu num borrão vermelho, voando direto para a parceira caída. Os respingos de metal ricocheteavam em sua carapaça sem efeito, e ele a envolveu com força num abraço, protegendo-a das gotas que ainda choviam ao redor, inclinando o rosto com uma expressão dolorida para olhar o gigante de baixo para cima.



    Um pouco mais distante, Sonia estava agachada, abraçando a Máquina Cramorant contra o peito. Seu rabo de cavalo balançava com a pressão dos movimentos disparados contra Melmetal, chicoteando o ar. Sua Sandaconda tensionou o corpo e saltou como uma mola, invocando um redemoinho de areia ao seu redor, capturando os respingos de metal derretido que choviam do gigante, girando-os no topo antes de desviá-los para longe do grupo.


    Os pedaços desprendidos do gigante derretiam a grama próxima ao altar, e Wooloo arrastou suas patas traseiras enquanto recuava, acabando por pisar numa poça quente. Ela sentiu seus dedos queimarem, mas imediatamente inchou sua lã para amortecer os danos do Play Rough de Grimmsnarl, que vinha colidindo com ela por várias direções. O poder extravasado pelo troll passou a atravessar sua lã e ela não aguentou mais, rolando para trás e caindo de barriga.

  Wooloo!  Leuri se voltou para sua Pokemon, mas ouviu Marnie rir.

 — Acabe com ela, Grimmsnarl!



  Cramorant, Barraskewda, ajudem aqui!  Leuri esticou a mão, tendo duas Pokeballs minimizadas entre seus dedos, então lançou-as para a frente.



    A dupla deixou suas capsulas em direções diferentes, mas já preparando seus ataques. Cramorant fazia os ventos rodarem ao redor de seu bico, e Barraskewda tinha seu poder radiante ao redor do corpo.



    Grimmsnarl estava correndo até Wooloo quando os dois Pokemon colidiram com o seu corpo pelos dois lados, golpeando-o sequencialmente até ele cair aos grunhidos. Marnie apertava mais os olhos, cada vez mais impaciente, e se voltou para Leuri que já a encarava.


  Eu queria poder conversar com você, mas agora que você tornou isso impossível, eu não vou recuar!


  Você não imagina o quanto isso é decepcionante, Leuri... Porque se você não tá recuando, significa que isso é o melhor que você pode fazer! E o seu melhor... é ridículo.  Marnie agarrou em duas Dusk Balls, também lançando-as.  Toxicroak, Lycanroc, Posion Jab e Accelerock!


    Cortando as sombras de suas capsulas, Toxicroak e Lycanroc investiram. A anfíbia levou uma das garras até a boca, e após chupá-la, esta agora pingava veneno. Lycanroc atirava-se numa velocidade impressionante, seu corpo inteiro ganhando uma camada rochosa que rompeu-se ao longo do percurso, restando apenas fragmentos pontudos como um reforço de armadura. Ambos atingiram Cramorant e Barraskewda, levando-os ao chão e levantando uma nuvem de poeira avermelhada.

  Cramorant, Hydro Pump! Barraskewda, Close Combat!  gritou Leuri.


    Limpando a poeira com uma tromba d'água, Cramorant levantou voo com os olhos esbugalhados, continuando a direcionar seu movimento para pressionar Toxicroak no chão. Barraskewda se debateu para saltar por cima de Lycanroc, que tentava abocanhá-lo com seus dentes revestidos por pedra, enquanto ele o surrava com a cauda em formato de turbina.


  Uh?  Leuri reparou de canto de olho em Grimmsnarl ainda caído, mas se arrastando discretamente para perto do confronto.  Tomem cuidado!!

  Kraaa?
  Cramorant botou a língua para fora, voando de cabeça para baixo e arregalando os olhos ao ver Grimmsnarl se movimentando.

  False Surrender!
  bradou Marnie, abrindo os braços e curvando os dedos, a luz da Wishing Star refletida em suas pupilas marcando a trajetória de seu movimento.



    Os cabelos de Grimmsnarl se agitaram e rapidamente esticaram-se para o alto contornados por um poder obscuro. Cramorant se chacoalhou no ar, fugindo e deixando penas para trás, e pegou Barraskewda com o bico no momento que foi agarrado.

  Kewwwda!!  Barraskewda balançava o corpo, tendo a cabeça completamente para dentro do bico de Cramorant, que estava quase sendo estrangulado.

  Cramorant, se concentre!
  Leuri pediu, vendo o pelicano quase roxo.  Você sabe o que fazer! Você sabe que junto com Barraskewda, vocês dois podem ser mais!!



  Kra... Kraaaaaaaamoo!!!  Cramorant sentiu seu estômago se revirando e abriu os olhos, desta vez não esbugalhados. Abriu ainda mais o bico enquanto Barraskewda agitava-se, e finalmente a disparou junto de muita água.



    Barraskewda voltou a enxergar e se virou enquanto a água espiralava ao redor de seu corpo. Suas caudas giravam como hélices, guiando o curso da água, o que o espantou, mas gostou da sensação. Vendo Grimmsnarl levando Cramorant ao limite, ele guiou seu movimento contra o troll, o esmurrando com as barbatanas e deixando sua aura azulada atravessá-lo, finalmente tombando-o e soltando seu amigo.

  Kewwda!  Barraskewda foi pego por Cramorant mais uma vez, e os dois se olharam com entusiasmo.


  Isso foi Liquidation!! É disso que estou falando!!  Leuri comemorou com a dupla.



  Krraaaa!!

  Kewkewda!!

    Batendo seus cascos, Spectrier agitou-se como se reclamasse, enquanto seus sussurros atravessavam os ouvidos de Marnie. Liepard também grunhiu para ela, cobrando uma resposta. A Wishing Star enraizada em seu pulso tremeluziu, e ela a encarou antes de se voltar para Leuri.



 — Se estão achando divertido, por que não elevamos isso a um outro nível?  Marnie levantou o braço, e a Wishing Star irradiou num clarão roxo para cima da floresta. A luz alcançou Melmetal, e seu grande olho brilhou.



    Um som horrível de metal rangendo cortou a floresta, e Melmetal varreu os Pokemon ao seu redor com o braço. Calyrex e Kubfu olharam na direção de Marnie, confirmando que ela o havia comandado. O gigante juntou as mãos pesadas no ar, e diversos Meltan se desprenderam dela, todos cobertos por metal derretido.



    O centro vazado das cabeças de porca dos Meltan reluziu ao mesmo tempo, moldando um feixe prateado em losango que se converteu em disparos ritmados de metal derretido.



    Os disparos varriam o redor do altar da floresta, levantando muita terra e grama para cima dos Pokemon. A Garchomp de Cynthia resistia de braços abertos, protegendo os que estavam atrás, como Gardevoir e Carbink, ignorando seu corpo fumegando. Mais distante, o pequeno Litten estava assustado e de olhos fechados, e o Rhyhorn de Grace correu para sua frente, recebendo um dos disparos e tombando para o lado antes de ser regressado para sua Pokeball. Camille também chamou seu gatinho de volta.



    De repente, um rasgo se abriu no ar, girando com bordas escuras e espectrais. Diego arregalou os olhos ao reconhecer Rattata emergindo junto da Banette Anna, saltando dos braços dela para o corpo de Melmetal. O ratinho desviou dos disparos com saltos e curvas desajeitadas, as orelhas balançando enquanto corria pela parte sólida do corpo do gigante, e finalmente agarrou-se à borda da cabeça com suas patinhas, o vento puxando suas lágrimas para trás. O olho vermelho de Melmetal girou, incapaz de focá-lo.

 — Ratta! Rattatatata! — Ele gritava, fazendo força para se manter ali, mesmo com seus dedinhos quase soltando. Quando uma pata inteira escapou, ele a levou até o peito, à espera de uma resposta.

    Melmetal respondeu com um rangido grave, e uma centelha explodiu de seu próprio olho, direto contra Rattata. O rato baixou as orelhas, com o rosto muito iluminado, quando um braço passou por baixo de sua barriga e o puxou para o lado. Ele assistiu outro disparo de metal derretido, e olhou para cima, vendo Calyrex concentrado em tirá-lo dali, montado em Glastrier que cortava o ar em ziguezague.

 — Ah! — Marnie atirou duas Dusk Balls para frente, liberando Greedent e Drizzile.

 — Gastrodon, Grapploct! — Leuri revidou, lançando duas das suas Pokeballs.



    Gastrodon se rastejou pela grama, seu corpo se desfazendo num mar lamacento enquanto o pescoço esticava para o alto. Greedent saltou para a água, colocando um braço à frente do corpo, e logo um escudo se materializou com suas pontas se conectando e o símbolo de uma berry estampado no centro. Ele a usou de prancha, surfando enquanto o terceiro olho de Gastrodon se projetava numa onda para engoli-lo.


    Disparando na água, Grapploct torcia seus tentáculos e depois soltava-os rapidamente, girando como um peão contra Drizzile, o atingindo e atirando-o para o alto. A franja grudenta dele caiu para o lado e ele rangeu os dentes, formando um balão d'água e descendo junto dele para combater o polvo.

  Liepard!  chamou Marnie.

  Frogadier!
  Leuri atirou sua sexta Pokeball.

  Night Slash!
  As duas gritaram juntas.



    Frogadier saiu de sua capsula com as duas mãos unidas, e um sabre curvo púrpura se formou entre elas. Liepard saltou por cima de Marnie, já puxando as sombras do ambiente, fazendo-as dançarem ao redor de sua pata e esta assumir uma forma sombria similar ao sabre de Frogadier. Os dois Pokemon colidiram os movimentos, disputando força até cada um recuar para uma direção.


  Spectrier!  Marnie agarrou no pescoço do corcel, subindo nas costas dele.  Para o altar!

  Pessoal!
  Leuri gritou, se virando para trás onde os demais lutavam com Melmetal.

    O gigante desprendeu mais Meltan de seu corpo e se voltou para o altar, acompanhando Marnie. Sonia viu um deles mirando contra ela, mas Kubfu rapidamente o acertou um soco, desfazendo sua forma. Ela fechou as mãos e ajoelhou diante da Máquina Cramorant, que balançava sem parar absorvendo as partículas Dynamax do ambiente.


  Me acompanhem
  Cynthia pediu, levantando um bastão de batom onde sua Key Stone estava fixada. Ela o levantou, e sua luz crescente conectou-se com Garchomp, criando partituras musicais pelo ar.



  Gardevoir, vamos fazer isso juntas!  Diantha agarrou em seu colar, e fitas luminosas projetaram-se para os lados, alcançando Gardevoir.



  Kangaskhan, eu te peço!  Grace gritou das costas de Talonflame, que disparava uma rajada de chamas contra os Meltan.

    O filhote de sua Kangaskhan saltou da bolsa dela com uma Mega Stone nas mãos, e passou a misturar sua forma com a dela, crescendo e brilhando.



  Scizor!

  Medicham!

    Diego e Aleíse firmaram os pés no chão, lado a lado, com os braços flexionados na frente do corpo, e levaram dois dedos até as Key Stones presas em seus braceletes.



    O símbolo da Mega Evolução surgiu em cada Pokemon, todos em direções diferentes, e suas formas alteraram-se para ganhar mais poder. Eles gritaram juntos para Melmetal, que virou a cabeça para trás ao mesmo tempo que Marnie, percebendo-os.



  Está na hora! Eu também vou fazer o meu melhor daqui!  Sonia posicionava a Máquina Cramorant, confiando no grupo.

  Luuura!
  Lurantis os incentivou junto de Sandaconda e Cloyster.

  Use Moonblast, Gardevoir!
  Diantha esticou o braço.


    Gardevoir juntou as mãos, condensando uma esfera rosada que cresceu até ofuscar o céu arroxeado. Ela lançou o ataque, e a luz explodiu contra Melmetal, rachando sua superfície enquanto ele rangia.

  Dragon Rush!  Cynthia projetou o corpo para frente quando a Garchomp também fez o mesmo.



    Garchomp rugiu, as garras brilhando em tons de jade enquanto ela mergulhava, o corpo envolto em uma aura dracônica que parecia ser sua própria alma. Ela colidiu com as costas de Melmetal, o impacto ecoando como trovão, e pedaços de metal voaram do gigante.

  Use Rock Slide!  Grace e Talonflame desviavam dos pedaços de metal.


    Kangaskhan e seu filhote socaram o chão juntos, arrancando rochas que rolaram pelo ar como uma avalanche. As pedras acertaram Melmetal em cheio, esmagando partes de seu corpo, mas ele se manteve de pé mesmo espremido entre elas.

  X-Scissor!

  Psycho Cut!
  Diego comandou junto de Aleíse, os dois cruzando os braços no ar, pois os Pokemon estavam em posições opostas.


    Scizor voou rápido, as pinças cruzadas brilhando em escarlate como as pontas de uma tesoura. Ele cortou o braço de Melmetal com dois golpes precisos, deixando cortes que pingavam metal líquido. Medicham girou os braços e lâminas psíquicas roxas se formaram ao seu redor. Ele as manipulou como shurikens, cortando o tronco de Melmetal, que rangeu alto enquanto tentava se soltar.

  Funcionou?!  Calyrex trazia Rattata para perto de Leuri, olhando para o gigante prensado.

    Os braços de Melmetal estavam muito juntos do corpo por conta das pedras, e seu olho vermelho não parava de piscar, como se lutasse contra o controle. Marnie franziu a testa, sua Wishing Star pulsou, e ela o observou girando a cabeça muito rápido. Seus braços incharam e mais Meltan se ergueram das poças de metal líquido no chão, retornando ao seu corpo para reformá-lo. As pedras racharam e ele se livrou da prisão, dando passos pesados numa corrida até o altar.

  AGORA!  Sonia gritou, agarrada na Máquina Cramorant.



    A máquina estava mais agitada ainda, escapando fumaça da caixa acoplada na parte de trás, o pescoço inchando e contraindo, os olhos revirando rapidamente. Quando abriu o bico, um pulso vermelho explodiu dele, cortando o ar carregando de toda a energia Dynamax que tinha absorvido e mergulhando direto no portal do altar. A floresta inteira estremeceu, as árvores balançando como se fossem arrancadas do chão. Um grito de dor ecoou, alto e colossal, vindo de algum lugar que ninguém conseguia localizar.


  Eternatus... Ele está sentindo!  Calyrex esboçou um sorriso, virando-se para Leuri que tinha uma mão no peito enquanto os cabelos balançavam.


    No nevoeiro ao lado do altar, duas formas se projetaram, brilhando em ciano e magenta. Zacian e Zamazenta ergueram suas cabeças, os olhos fixos no portal, como se sentissem o que estava acontecendo. As presenças pareciam mais fortes, quase materiais.


    Do outro lado da floresta, Zarude agarrou um galho, olhando para o horizonte. Bea estava sentada encostada na árvore.

 — Está funcionando! — Zarude grunhiu para ela.


 — Mantenham-se firmes... Meus amigos. — Bea desejou, fechando os olhos.



    Mais adiante, Rose, Hop e Leon lutavam contra Poipole, e seus Pokemon disparavam ataques sem parar. Inteleon girava o rabo e virava rapidamente nas direções que a besta voava, lançando jatos d’água precisos, mas que ele esquivava com muita facilidade. Cinderace chutava bolas de fogo que explodiam no ar e Rillaboom batia no peito, ecoando enquanto raízes subiam do chão.


 — Ririri! — Poipole ria com as mãos na boca enquanto via o fogo e as raízes explodirem por trás dele. — É muita coragem ficarem para trás por minha conta... Deveriam ter seguido meu exemplo. Agora terão um fim aqui!

    Interrompendo-os, as árvores ao redor começaram a se desfazer, virando partículas Dynamax que flutuavam como pó vermelho. Perrserker foi o primeiro a perceber, puxando a calça de Rose para avisá-lo.


    Enquanto isso, na estrada para o começo da floresta, as pedras que prendiam Paula rachavam e se desfaziam em pó vermelho. Ela se levantou, os cabelos bagunçados caindo no rosto, e deu um sorriso torto, agarrando no ar.

 — Ah, Marnie... Você é tão previsível. Será que não aprendeu nada comigo? Não importa a grandeza de nenhum obstáculo. Tudo acaba tendo a sua fraqueza... E eu tenho o dom de encontrá-las.  Sua risadinha foi o que restou antes dela desaparecer dali.


    De volta ao altar, o disparo da Máquina Cramorant continuava firme, e a realidade parecia rachar entre os aros quebrados do altar. Melmetal estava confuso, girando sua cabeça em descontrole, e Marnie sentia algo a enfraquecendo, assim como seus Pokemon. Ela escorregou das costas de Spectrier e usou a espada para se apoiar, a seguir levantou a cabeça com ódio.

  É muita audácia! — gritou, os olhos faiscando com a luz da Wishing Star. Ela levantou um braço, e fendas escuras se abriram no chão, rasgando a terra em direção à Máquina Cramorant.

  Preciso da ajuda de todos!
  Leuri pediu aos Pokemon.


    Frogadier correu impulsionado pelos troncos das árvores e saltou para a frente cortando o ar com Water Pulse, enquanto Gastrodon jogava lama para bloquear as rachaduras. Grapploct esticou os tentáculos, segurando pedras que voavam, e Wooloo rolou com Electro Ball, explodindo as fendas mais próximas. Cramorant veio voando com Barraskewda no bico, disparando-a para cima de Marnie.


  Lieeepar!
  A leopardo se colocou na frente dela, recebendo os danos de Barraskewda.


  — Liepard...  Marnie mudou a postura por um momento ao ver a felina caindo, mas notou uma chance.  Drizzile, agora! 

    Drizzile não estava entre os Pokemon de Marnie, e provavelmente ficou invisível enquanto deslizava pelo chão molhado. Todos procuraram por ele, mas foi Cloyster, ao lado de Sonia, que reparou em sua forma camuflada distorcendo o ambiente.


 — Cloy! — Ele encarou Drizzile, que se materializou em sua frente. As árvores se desfaziam ao redor deles.


 — Drii... — Drizzile soprou a franja para o lado, encarando-o muito sério.

 — Cloyoy... — Cloyster caiu o olhar, entristecido por ter que enfrentar seu amigo, e nesse momento...


 — Drizz! — Drizzile formou balões d'água para explodir na Máquina Cramorant.


 — CLOOOOY!! — Decidido a impedir, Cloyster soprou uma espiral d'água para prendê-lo, mas novamente ele ficou invisível.


    Reaparecendo, Drizzile vinha com a palma da mão estendida para acertá-lo, mas ele se fechou em sua concha, contendo os danos. Quando se abriu, disparou estacas de gelo, e o lagarto desviou por entre elas com cambalhotas para trás.


  DRIZZILE! Não seja inútil!  gritou Marnie, agora com todos percebendo onde ele estava.


  Drizzile...  O Pokemon percebeu todos se voltarem contra ele, então fechou os olhos e agarrou numa das estacas de gelo.  DRIIIIZZILE!!


  NÃO!  Sonia gritou ao ver a Máquina Cramorant ser perfurada com a estaca, começando a faiscar antes de explodir em pedaços.


    Sonia caiu de joelhos, colocando as mãos no chão. Leuri baixou a cabeça, com os dentes cerrados, e se voltou para Marnie quando ouviu o som da lâmina da espada. Agora ela estava novamente de pé, assim como os seus Pokemon.


  Boa tentativa... Mas seu plano não deu certo! Um desejo de verdade não pode ser parado.


  Não importa o quanto repita isso, esse não é o seu desejo, Marnie  Leuri a fitou.  Seus Pokemon estão lutando ao seu lado contra aqueles que foram seus amigos. Você não percebe? Essa batalha não terá uma vitória!

    Marnie desviou o rosto, segurando firme na espada. Ouviu Spectrier sussurrar e encarou as espirais do portal para a dimensão do altar. Ela se viu no reflexo da lâmina e a apertou com mais força.

  Eu quero acabar com tudo isso
  Marnie disse, apontando a espada para o altar.  E eu vou!


    A espada acendeu-se enquanto ela também puxava o escudo reluzente preso nas costas. Leuri gritou por ela, mas o som foi abafado quando a mão surgiu de dentro do portal. Todos estavam assustados, mas Marnie deu um passo a frente com Spectrier e seus Pokemon. Ela olhou para Leuri, que sustentava uma expressão dolorida, e apontou para ela. A mão a agarrou junto de seus Pokemon.

  LEURI!  Diego gritou correndo na direção do altar junto de Carbink e Medicham.

  Melmetal
  chamou Marnie, e o gigante se colocou no caminho de Diego.

    A mão retornou para dentro do portal, levando Leuri e seus Pokemon consigo, e a seguir Marnie entrou com Spectrier e os seus, desaparecendo dali.


    Quando Leuri abriu os olhos, estava num infinito de estrelas vermelhas penduradas pelo espaço. A atmosfera distorcia-se com as sombras e reflexos, e a mão que a espremia junto de seus Pokemon seguia o galopar de Spectrier. Melmetal logo surgiu por trás deles, flutuando para acompanhá-los.

  Esse lugar...  Leuri olhava para uma cratera cheia de luz vermelha escapando.  Essa dimensão inteira foi construída por Melmetal para aprisionar Eternatus há séculos atrás. Mas ele não foi totalmente preso... Se apossou de todo esse espaço e esteve se projetando para fora com cada vez mais força. Como você pretende lidar com isso?

  Eu vou dar um jeito. Eu sempre dou
  Marnie mantinha o olhar firme no seu destino.

    As duas aproximavam-se agora da enorme prisão esférica de cristal, flutuando sobre um bloco enorme de pedra. As pupilas de Leuri aumentaram de tamanho ao perceber que a mão que a segurava vinha lá de dentro por uma pequena rachadura.
    Marnie aterrissou diante da prisão, encostando na estrutura dela, que acendeu-se e emitiu o som de tentativa falha.

  Eu estou entrando, Piers...
  Marnie sorriu de leve, sem perceber.

  
Mas e depois, Marnie?  Leuri perguntou, séria.  Se você ganhar, o que vai fazer? Já pensou nisso? O que vai sobrar pra você? Quem vai sobrar pra você?

  
Quem vai sobrar pra mim, Leuri? Ah, por favor! Deixa eu te ensinar uma coisa. Essa provação toda serviu para me mostrar... que eu não preciso de ninguém!

    Leuri balançou a cabeça em negação, e Marnie a encarou.

  Eu sei que você não acredita nisso.

  Você não pode me dizer o que eu acredito!!  Ela sacou a espada e o escudo, acendendo-os novamente.

  Aaargh...
  Leuri fazia força, fechando os olhos, quando os abriu e estavam inteiramente rosas. A mão estremeceu, a soltando, e ela pulou para cima de Marnie, segurando nas mãos dela.   Me ouve, Marnie! Desiste disso tudo! Juntas nós podemos selar o altar e botar um fim a tudo isso agora!!

  Argh!  Marnie também forçava, e seu corpo envolveu-se no poder do Dynamax, fortalecendo-a. — Como se isso fosse acontecer... Como se eu fosse desistir do único que não desistiu de mim!!

    A espada e o escudo começavam a canalizar o poder do desejo, desviando-o para várias direções. Os Pokemon começaram a se proteger, com Frogadier erguendo uma barreira de espuma e Grimmsnarl extravasando sua energia colorida para erradicá-lo.


    Na floresta, os feixes de Dynamax alcançavam os Pokemon de Leon, Hop e Rose, que atingiram suas formas Gigantamax diante de Poipole. Assim como eles, os Pokemon que lutavam próximos do altar também estavam sendo atingidos, crescendo exageradamente. Calyrex observava a reprise do dia conhecido como o mais sombrio da história de Galar, e quando ia pegar nas rédeas de Glastrier, percebeu que suas mãos estavam desaparecendo, sua forma inteira fraquejava agora.


    Conforme Leuri e Marnie se enfrentavam, mais disparos de Dynamax aconteciam. Apenas Frogadier e Liepard conseguiram se proteger, enquanto todos os outros assumiam suas formas do Desejo. As garotas finalmente afastaram-se, e as armas caíram entre elas.


  ACABOU, MARNIE!  gritou Leuri, colocando o pé sobre a espada e o escudo.

  Eu tava pensando a mesma coisa!!
  Marnie sorriu assustadoramente.


    Surgindo de uma sombra no chão, Spectrier fez Leuri recuar, e chutou as armas para perto de Marnie.


  Frogadier, Aerial Ace!  Leuri gritou com o braço esticado.


    Frogadier saltou com o corpo envolto em uma aura dos ventos prateados dançante. Ele mergulhou contra Marnie, mas Liepard se jogou na frente. As patas traseiras dela acertaram Frogadier como um tapa, jogando-o para o lado. Ele rolou no chão, mas se levantou, juntando as mãos na espuma de seu capuz que se moldou em pedaços para atirar.


    Leuri correu mais perto, vendo Liepard desviando da espuma e saltando novamente. Frogadier foi ao seu encontro, colidindo a cabeça com a dela.


  Use Ice Beam e atire mais espuma!  pediu Leuri.


    Frogadier abriu a boca, levando uma shuriken congelada até ela, assoprando-a para disparar um raio azul criogênico. A espuma borbulhou em suas costas, desprendendo-se em pedaços que congelaram, tornando-se estacas que se voltaram contra Liepard. Ela desviou com um salto, mas uma estaca acertou sua cauda, fazendo-a grunhir. Marnie levantou o escudo, o metal brilhando com a luz da Wishing Star.


  Não me atrase mais!
  Marnie cuspiu as palavras.  Liepard, Throat Chop!


    Liepard avançou, as garras brilhando negras, e acertou Frogadier no pescoço com um golpe seco. Ele engasgou, caindo de joelhos, mas rolou para trás, atirando espuma que se espalhou como uma névoa espessa, escondendo-o. Liepard girou, confusa, enquanto Frogadier emergiu da névoa com Night Slash, o sabre roxo cortando o flanco dela. A felina caiu, mas se levantou com alguma dificuldade, ofegante.


 — Me deixe fazer isso... — Marnie resmungou, o suor escorrendo pelo rosto, os cabelos grudados na testa. — Liepard, Skitter Smack!


    Liepard saltou, as patas traseiras girando para acertar Frogadier, mas ele usou Water Pulse, moldando a água com espuma em uma corrente giratória que prendeu as pernas dela. Liepard caiu, debatendo-se, e Frogadier pulou para trás, respirando pesado.
    Ao redor, o caos crescia. Grapploct em Dynamax esticava tentáculos gigantes contra Greedent, que surfava em escudos enormes. Wooloo, agora uma esfera lanosa imensa, rolava contra Lycanroc, e pedras pontudas voando para todas as direções. O chão tremia com cada golpe e as Wishing Stars se desprendiam caindo como cometas.
    Leuri correu para Marnie, aproveitando a distração, e agarrou o braço dela com força, os dedos tremendo contra a Wishing Star quente.


  O que está fazendo?!  Marnie a olhou com raiva, os rostos bem próximos.


 — Frogadier, amarre a Liepard! — gritou, enquanto Frogadier lançava uma corda de espuma nas patas dianteiras de Liepard, fazendo-a cair de barriga no chão.


    Marnie tentou se soltar, o escudo caindo com um ruído estridente. Ela girou a espada, mas Leuri segurou a lâmina com as mãos nuas, gritando enquanto o metal cortava sua pele. Marnie arregalou os olhos, vendo a aura de fada da garota contornando a lâmina, ajudando-a empurrar para trás. Seu sangue pingou, mas ela não soltou, os olhos rosas fixos nos de Marnie incrédula.


  Por quê?  Marnie perguntava, agora se apoiando numa perna.  Por que você não desiste de mim logo?!  Suas lágrimas escaparam pelo ar num grito irritado.  Depois de tudo que eu fiz... Não tem mais volta. Eu sou a vilã. Eu preciso pelo menos terminar o que comecei, ou então... toda a espera... absolutamente tudo... vai ter sido em vão.

    A garota respirou fundo, o peito subindo e descendo rápido. Ela soltou a espada ao mesmo tempo de Marnie, e esta caiu com um som oco. Leuri levou a mão ao cordão da gota d’água por dentro de sua blusa, arrancando-o do pescoço. A joia brilhou, refletindo nas lágrimas de Marnie, e Leuri segurou o rosto dela com as mãos cortadas, forçando-a a olhar.


  Eu acredito que podemos ajeitar as coisas... Eu vi você, Marnie!
  Leuri gritou, seus olhos voltando a cor normal.  Você não é culpada por nada disso, Eternatus que tirou o seu irmão de você, que tirou o meu pai de mim... Quando você sorriu pela primeira vez de verdade, eu soube que éramos amigas de verdade. E eu nunca, nunca vou desistir disso!

    Marnie arregalou os olhos, o brilho da gota d’água dançando nas pupilas dela. As lágrimas caíam mais rápido, o corpo tremendo enquanto a Wishing Star piscava, fraca. Liepard parou de lutar contra a espuma, olhando para Marnie com um gemido baixo. Grimmsnarl, ainda em Dynamax, abaixou os punhos, a energia multicolorida se dissipando. O som dos outros Pokémon combatendo ao redor ficou abafado, como se o tempo tivesse desacelerado.


 — Você... — Marnie murmurou, a voz quase um sussurro, rouca de tanto gritar. Ela olhou para Leuri, depois para o cordão, as mãos caindo ao lado do corpo. Suas bochechas pálidas foram completamente enrubescidas. — Por que você tem que ser assim, Leuri?

    Leuri caiu de joelhos, exausta, segurando o cordão contra o peito, os olhos marejados mas firmes.


 — Porque eu sei que você ainda tá aí, Marnie. Aquele sorriso... ele ainda tá em você, mesmo que você não queira ver. E eu vou lutar por ele, por você, até o fim.

    Marnie fechou os olhos, o rosto contorcido em uma mistura de dor e raiva. Ela respirou fundo, o ar saindo em tremores, e olhou para a espada e o escudo no chão. Com um grito rouco, chutou as armas com força, a espada girando no ar e o escudo quicando atrás. Elas voaram para o infinito vazio da dimensão, o metal brilhando uma última vez antes de sumirem nas sombras, engolidas pelo nada.


 — O que eu fiz... — Marnie disse, também caindo de joelhos como Leuri. Escondeu o rosto entre os braços cruzados. Liepard correu para ela, esfregando a cabeça no ombro, e Grimmsnarl caiu ao lado, o Gigantamax se desfazendo em partículas vermelhas assim como os demais.




    Leuri ficou de pé, trêmula, Frogadier ao seu lado limpando a espuma das mãos. Ela olhou para Marnie, o cordão da gota d’água ainda na mão ensanguentada, enquanto a prisão de cristal atrás delas pulsava, o som de rachaduras ecoando no vazio. Marnie cobria o rosto, as lágrimas pingando entre os dedos, Liepard ao seu lado em silêncio. Leuri sorriu para Frogadier, feliz por aquilo ter acabado. Mas... o chão da dimensão ainda tremia, as estrelas vermelhas piscando como se sentissem algo vindo.


    De repente, o ar se abriu com um rasgo escuro, e uma risadinha infantil cortou o silêncio. Paula surgiu do vazio e os olhos brilhavam com um vermelho doentio. A espada e o escudo de Marnie giravam ao redor dela, flutuando como se presos por fios invisíveis. Ela bateu palminhas e o som reverberou por toda aquela dimensão.

 — Eu gostaria de agradecer a vocês duas, por terem cuidado de toda a burocracia! — Paula disse, e deu um passo à frente no vazio, o sorriso torto crescendo com dentes afiados saindo do rosto.

    Leuri cerrou os punhos, e guardou o cordão, encarando-a.


 — Acabou, ô coisa ruim — disse, a voz firme apesar do cansaço. — Você não vai sair dessa prisão, não vai se aproveitar do desejo de mais ninguém.

 — E o que tem a dizer? — A voz de Paula soou duplamente quando perguntou voltada para Marnie, com um tom mais monstruoso junto do infantil.

    Marnie levantou a cabeça devagar, os olhos vermelhos de choro fixos em Paula. Ela limpou o rosto com o braço, a Wishing Star no pulso ainda piscando fraca.


 — Eu... eu fiz tudo isso por eles — Marnie murmurou, com a voz rouca. — Pelo Piers, pelo Morpeko... Eu passei anos esperando, planejando me tornar mais forte, pra tirar eles desse lugar, para ter a minha família de volta. Eu tive tanta certeza...!! E agora... — Ela olhou para Leuri, as lágrimas voltando. — Agora eu não sei mais o que eu desejo.

    Paula inclinou a cabeça e flutuou mais perto, a espada e o escudo girando mais rápido ao seu redor.


 — Marnie, querida amiga... Que trágico — disse, a voz pingando sarcasmo. — Mas sabe o que é ainda mais deprimente? Você nunca foi a peça principal disso tudo. Nem na história da sua vida você é a protagonista.


    Marnie arregalou os olhos, sentindo mais lágrimas caindo. Paula esticou a mão, e a Wishing Star no pulso dela brilhou forte por um instante antes de rachar. Um fio roxo escuro saiu dela, subindo pelo braço de Paula como uma serpente, e a pedra se partiu em pedaços, caindo no chão. Marnie gritou, caindo para trás, as mãos no pulso vazio e a corrupção desenraizando da sua pele, seu traje de desejos desaparecendo e dando lugar às vestes casuais.

 — Você perdeu antes mesmo de começar — Paula continuou, os olhos brilhando mais forte. — Foi ridícula, achando que podia me controlar, me usar pra salvar seu irmãozinho. Eu te dei esse poder, e você desperdiçou ele com esses... — Ela olhou para Leuri, rindo. — Esses sentimentos patéticos.


 — Não escute ela! — Leuri gritou para Marnie. — Você é capaz de qualquer coisa, com ou sem uma Wishing Star!

    Paula gargalhou, jogando a cabeça para trás.

 — Capaz? Ela? Por favor, Leuri. Ela foi só uma ferramenta. Mas não se preocupe, eu sempre tive um plano B. Alguém que esteve no caminho o tempo todo, sem desvios, sem hesitações. Um desejo sólido e certo... poderoso!

    Leuri e Frogadier não entenderam o que ela estava dizendo, mas a bolsa nas costas de Marnie se mexeu. A garota se virou, percebendo a mãe Chewtle saindo lá de dentro, um tanto confusa. Ela olhou ao redor, sem saber onde estava, e quando encarou a prisão de cristal, seus olhos brilharam.


 — Chew? — perguntou, a voz pequena ecoando no vazio.

    Paula flutuou até ela, com as mãos para trás e um sorriso perverso.


 — Chewtle, você chegou até aqui para realizar o seu desejo... — Paula disse, e uma Wishing Star desceu do infinito para perto delas. — Está pronta para reencontrar os seus filhotes?

    Chewtle olhou para Marnie assustada, depois para Leuri tensa, e abriu a boca.


 — Chew! — assentiu firme, como se fosse uma resposta clara.


    Paula explodiu em gargalhadas, o som rasgando a dimensão. Sua forma de criancinha começou a se quebrar, pedaços da pele caindo como casca, revelando escamas negras e vermelhas por baixo. Leuri e Marnie se viraram ao mesmo tempo, os olhos arregalados de terror, enquanto a espada e o escudo flutuando cresceram, ficando gigantescos no ar.


    Melmetal, que estava quieto flutuando no vazio, rangeu alto. O olho vermelho brilhou, e ele esticou os braços enormes, agarrando a espada e o escudo com força. Com um rugido metálico, ele girou as armas e as cravou na prisão de cristal. A estrutura rachou mais e os estilhaços voaram. Um estrondo sacudiu o espaço inteiro.


    A prisão explodiu em pedaços, e uma sombra serpenteante subiu do centro, os olhos vermelhos brilhando como faróis. Um sorriso branco com dentes imensos desapareceu junto da risada agora apenas monstruosa. A forma colossal se ergueu diante de Chewtle, que ficou parada, olhando para cima com a boca aberta.

Continua no capítulo final de Galeuri
Cuidado com o que você deseja.

Último capitulo postado

Capítulo 119: Desejo.

Postagens mais visitadas